domingo, 24 de maio de 2009

Doce perfume

Quantas vezes murmurei seu nome em solitário;
Muitas outras, escrevi no espelho suado;
Algumas, temi por nosso amor invejado;
Raras, foram às vezes que esquecemos o primário.

O passado passou, a vida seguiu, o rio não parou.
A lembrança não desvaneceu e o amor permaneceu;
A quietude chegou, mas o coração não conformou
Com o que o destino reservou. Nossa terra estremeceu.

Os fundamentos cederam: a torre desceu,
A porta se abriu, meu corpo saiu e vagou
Um vento pra cá, outro pra lá. O mar encapelou.
Um afogado, dois afogados, mas este não pereceu.

Hoje, canto pela vida que conheci
lado a lado e com nossas mãos dadas
os tesouros espirituais que mereci.
Exalo sua doçura. Flores não nascem do nada.
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